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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Santos FC alcança 11.700 gols


http://www.santosfc.com.br/capa.asp


Neste domingo (07), o tento solitário do Peixe contra o Ceará, marcado por Borges, foi mais do que simbólico. Foi o 11.700º.

Foram 11.700 gritos de êxtase em 99 anos de história. Nenhum time no mundo chegou tão longe em gols, glórias e ídolos ao longo de 5.536 partidas. De Arnaldo Silveira, no dia 15 de setembro de 1912, a Borges, neste 7 de agosto de 2011, foram 36.120 dias de história no Brasil e no exterior.

Fonte: http://www.santosfc.com.br/noticias/conteudo.asp?id=25043

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Caminhos, rios e oceanos tricolores


Ir aos jogos do Bahia não tem preço. É uma "coisa de louco". No bom sentido, é claro!

Ao colocar os pés na rua, respiramos o ar que só um dia especial tem. Mais um, mais dois, mais três... perdemos a conta de quantos estão fazendo o mesmo: indo ao encontro do Esquadrão.

Nas proximidades do estádio é sempre uma festa. Um mar tricolor em movimento. Chegamos de ônibus, de carro ou à pé. Sempre chegamos acreditando na vitória.

O espaço existente entre a residência e o estádio, o caminho de ida, é muito interessante. Alguns seguem quietos, outros escancaram o amor pelo clube. Buzinas, bandeiras e músicas fazem parte do repertório. Se ouve: "Bora Bahêêêêêêêêêa!!!", "Somos da turma tricolor...", buzinas, buzinas, buzinas... "...mais um Bahia, mais um Bahia...", mais buzinas, outras músicas, de tudo um pouco.

O torcedor que está na rua e que não está indo ao jogo fica morrendo de inveja. Os olhos brilham. Pensa: "Porque não estou indo?", "Será que ainda dá tempo?". Às vezes dá, e ele vai!

Os vários rios humanos que desembocam no estádio representam bem a sociedade. Tem juiz, lavrador, bancário, advogado, contador, doutor, verdureiro, empacotador, desempregado, aposentado, estudante. Todo tipo de trabalhador, todo tipo de desocupado. O importante é que cada um vale um. Juntos valem muito.

Encontramos nos olhos alheios o que está nos nossos olhos: a paixão. É essa força que transforma "rios" em um "oceano tricolor". É tão bom fazer esse caminho.

Essa é a nossa sina: caminhar e cantar; vibrar, gritar, torcer e chorar; rir e pular; vencer, amar.

O Amor sempre abre caminhos.


Everaldo Júnior
Torcedor do Bahia

Primeiro Campeão Brasileiro

Time da final, campeão do Brasil: Nadinho, Leone, Henrique, Flávio, Vicente e Beto; Agachados: Marito, Alencar, Léo, Bombeiro e Biriba



+ informações:
http://www.esporteclubebahia.com.br/especial_1959.asp

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

EUA: os mitos e a História

EUA: os mitos e a História

Toda reconstrução histórica, por mais isento seja o pesquisador, corre o risco de se transformar em mitologia. Os heróis crescem em cada nova versão de seus feitos, geração após geração. Homero, em sua cegueira, viu os heróis míticos – já agigantados nas rapsódias de poetas anônimos e mais antigos – sob o esplendor de suas luzes interiores. Os rochedos e as correntes marinhas do estreito de Messina se transformam em monstros e sereias. Os prováveis conquistadores da pequena cidade costeira de Tróia e seus defensores se elevam à natureza de titãs.
As cores, na alma dos cegos, são muito mais intensas, e, da mesma forma, maiores os gigantes, mais rijos os heróis; a morte, quanto mais terrível, mais gloriosa. Mas os cegos não são apenas aqueles desprovidos da visão convencional. Confirmando o ditado popular, piores são os cegos que não querem ver.

Quando surgem os destruidores de mitos, nascem os construtores do homem. O mais belo dos mitos, o do Cristianismo, é, na sua essência, o não mito: é na debilidade de um homem açoitado, vaiado por seus conterrâneos, desdenhado e crucificado, que o verdadeiro cristianismo levanta seus alicerces.
Todos os povos temem confrontar-se com seus próprios mitos. E quanto mais grandiosos eles sejam, mais dramática é a tarefa de reduzi-los aos módulos humanos. Os Estados Unidos são o mais mitológico dos paises modernos, e é no embalo dessa mitologia que eles foram construindo o seu destino. Há um livro de leitura obrigatória sobre a reconstrução de seu passado, traduzido ao português, Mitos sobre a fundação dos Estados Unidos, do historiador americano Ray Raphael, publicado pela Civilização Brasileira em 2004. O autor desmonta os mais fascinantes mitos da Revolução e da criação da República, da famosa marcha de Paul Revere à Declaração da Independência e aos feitos bélicos de George Washington. Paul Revere foi um dos três mensageiros que alertaram contra a movimentação dos ingleses – e não o único “cavaleiro da meia-noite” do mito; Jefferson foi apenas um dos cinco redatores da Declaração da Independência, e não seu autor solitário; as tropas rebeldes cometeram tantas atrocidades contra os civis quanto as realistas. Enfim, a mitologia dos pais fundadores surgiu de autores que reescreveram a História, décadas depois, durante o período de afirmação nacionalista e da presunção do “Destino Manifesto”, na segunda metade do século 19.
É certo que todas as nações necessitam de heróis, mas esses heróis são bem maiores quando se trata de homens comuns, com seus temores, suas fraquezas, suas incertezas. Em 1908, outro livro, de título semelhante, e citado por Ray Raphael – Mitos e fatos da Revolução Americana – mostra a raiz da distorção histórica:
“Que utilidade política pode haver em descobrir, ainda que seja verdade, que Washington não era assim tão sábio, nem Warren tão corajoso, nem Putnam tão aventuroso, nem Bunker Hill disputado heroicamente, como se tem acreditado? Chega de tanto ceticismo, dizemos; e da crítica bisbilhoteira com a qual às vezes se tenta sustenta-lo. Essas crenças, de qualquer modo, tornaram-se reais para nós quando penetraram na própria alma da nossa história e formaram o estilo de nosso pensamento nacional. Tira-las, agora, seria uma desorganização danosa da mente nacional”.
A História oficial norte-americana tem suas razões para raras vezes citar o mais inquietante de seus personagens, o jornalista inglês Tom Payne. Payne era o tipo perfeito do anti-herói: cachaceiro, utópico defensor de uma sociedade igualitária, pregador da educação para todas as crianças pobres, sonhador de uma “justiça agrária”, e autor do mais importante paper em favor da Independência, The Common Sense. Ele era, em tudo por tudo – até mesmo pelo seu autodidatismo – o contrário dos aristocratas virginianos e bostonianos que a mitologia americana cultua como os pais fundadores.
De mito em mito, os norte-americanos construíram sua civilização e, diga-se a verdade, amedrontaram grande parte do mundo. Agora, no entanto, começam a descobrir a sua própria verdade, ao mesmo tempo que vêem crescer o apelo à mitologia. A direita norte-americana recorre ao famoso episódio da revolta contra a tributação do chá – outro mito desfeito por Ray Raphael – e tenta amarrar-se à ficção histórica, com a presunção de que possa reeditar o “Destino Manifesto” de John L. Sullivan, de 1845, texto visto como justificação ideológica para a guerra de conquista contra o México, que se iniciaria no ano seguinte.
Há quem preveja nova guerra civil nos Estados Unidos, e essa profecia, que pode parecer insana, encontra alguma base na divisão nítida entre os republicanos envenenados pela mitologia do Tea Party e a população pobre que irá pagar pela avidez doentia de seus banqueiros e chefes militares.
Os tempos são novos. Não estamos mais no governo de Roosevelt e seu “new deal”. Diante da crise de 1929, que se estendeu até sua posse, o presidente valeu-se dos recursos fiscais acumulados, a fim de socorrer os trabalhadores, criando empregos para tarefas até mesmo desnecessárias, mas não dando dinheiro aos banqueiros nem aos outros especuladores no mercado de capitais, que haviam provocado o desastre. Pouco a pouco, a população se torna a cada dia mais bem informada, e não é improvável que os descontentes venham a organizar-se.
Os donos do poder nos Estados Unidos continuam insistindo nas versões “patrióticas” construídas pelos interesses das famílias no poder, mas começa a crescer a consciência da realidade. As derrotas sucessivas mostram que a invencibilidade militar ianque é outro mito, e é melhor somar-se à Humanidade do que pretender dominá-la.

Torcida do Bahia, A TORCIDA NOTA 1.000!!! (Bahia x Flamengo)



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

‘Nada contra, mas…’, por Matheus Pichonelli da Carta Capital

‘Nada contra, mas…’

 Matheus Pichonelli
Existem várias maneiras de se esconder o preconceito num discurso aparentemente amigável às minorias no Brasil. Uma delas é quando a discussão, no bar, nas escolas ou nos fóruns eletrônicos da internet tem início com uma espécie de vacina contra uma possível blitz anti-politicamente correto: “não tenho nada contra essas pessoas, mas…”

A parada gay, exemplo de privilégios da comunidade homossexual em SP apontados pelo vereador
 
É um tipo único de salvo-conduto que dá ao interlocutor o direito de desferir as maiores barbaridades a partir da palavra “mas”. Algumas dessas barbaridades são invisíveis a olhos nus. Escondem-se, geralmente, em argumentos que, no limite, apelam para a necessidade de se respeitar para ser respeitado; ou de se rejeitar “privilégios” para se reivindicar tratamento igualitário. Via de regra, os mesmos argumentos descambam para a fratura mal escancarada do mais autêntico discurso discriminatório: “eles mesmos têm preconceito contra eles”.

Todas essas armadilhas estão pulverizadas, de uma forma ou outra, no argumento do vereador Carlos Apolinário (DEM-SP) ao defender o projeto de sua autoria que institui o Dia do Orgulho Heterossexual na capital paulista. O vereador, que garante ter amigos homossexuais, diz ver como “absurda” a extensão de privilégios a um grupo que sai às ruas uma vez por ano afirmar que não tem vergonha de ser gay. Também diz serem inaceitáveis as regras criadas, ao longo dos últimos anos, para proteger a comunidade gay de uma violência diariamente noticiada nas páginas policiais. Apolinário se diz revoltado por não poder xingar um gay na rua sem correr o risco de ser preso. E também por ver leis criadas para beneficiar conjugues homossexuais como dependentes, por exemplo, de planos de saúde.

Em todos esses casos, o argumento é um só: os gays se acomodaram num colchão de direitos e se tornaram uma espécie de casta privilegiada, adepta à vitimização sem causa e que anda em grupo pelo simples gosto de não se misturar.

A claque ao vereador, no dia seguinte às manifestações públicas de miopia histórica, mostra o quanto conquistas acumuladas pelos movimentos sociais nas últimas décadas ainda incomodam, e não apenas aos mais velhos – como costumam assinalar os que acreditam que o preconceito no Brasil está morto, enterrado ou no máximo mudou de lado. Mostra sobretudo que a violência do preconceito foi, e ainda é, uma herança muito bem cultivada e transmitida de pai para filho na base de discursos, piadas e lâmpadas fosforescentes.

O vereador Carlos Apolinário, que propôs o Dia do Orgulho Hétero em SP
 
No dia seguinte à entrevista, o que mais ouvi de amigos e até familiares foi que o vereador tinha lá certa razão. Um exemplo que ouvi foi que, assim como os gays, as mulheres se contradizem ao pedir condições iguais de tratamento quando já contam até mesmo com delegacias especializadas e leis como a Maria da Penha. Como se o saldo da violência doméstica entre os homens de olho roxo fosse o mesmo de mulheres que, até ontem, evitavam denunciar a agressão masculina em delegacias tomadas por policiais homens que, não raro, legitimavam a ação em nome da “honra” do agressor. E mandavam as mulheres para casa lamentando que a surra havia sido pouca.

Diferentemente do que prega o vereador, quando grupos de orgulho LGBT saem às ruas não estão apenas em busca de festa. Estão dizendo que, diferentemente de outros tempos, não têm mais vergonha da sexualidade nem querem passar o resto da vida trancados no quarto, com medo da reação de amigos e familiares. Demonstram, sobretudo, que estão unidos na pretensão de um dia serem tratados definitivamente como iguais. O que, em pleno 2011, ainda parece longe de acontecer.

Não parece privilégio, por exemplo, querer trabalhar sem que qualquer mérito ou erro seja atribuído à pura opção sexual. Um exemplo simples: não faz muito tempo, um jogador de um grande clube paulista era privado de ter seu nome cantado pela torcida simplesmente por ser gay. Quando fazia gol, ouvia-se pelas arquibancadas: “acertou, mas é gay”. Quando errava, o que se ouvia era: “errou, porque é gay”. Os mesmos “mas” e “porque” se repetem, todos os dias, de todos os meses, de todos os anos, em escolas, repartições, filas, espaço público, cinema ou nas divisões das Forças Armadas.

Mais que uma festa, Parada Gay é um fórum em que a comunidade se manifesta para dizer que não precisa esconder a sexualidade de pais e amigos. Foto: Edson Silva/Folhapress

Tampouco parece privilégio o direito de sair às ruas e pedir simplesmente o direito de se viver em paz. Por isso, chega a soar como provocação dizer que é preciso reagir às manifestações de orgulho gay com outra manifestação: a do orgulho hétero. É o atestado para que se crie uma situação em que uma minoria até pode sair às ruas para pedir o direito simplesmente de existir, mas outros devem também ter o direito de impedir que uma minoria exista. Não são situações iguais, nem demandas iguais, nem direitos iguais. Gays não saem às ruas explodindo lâmpadas fosforescentes na cabeça de heteros ou skinheads, mas o contrário não parece ser falácia.

Pode não ser a intenção do vereador, sempre simpático no tratamento dispensado a jornalistas e que tanto apreço manifesta ao seu cabelereiro gay. Mas, ao ignorar a lógica da discriminação ainda reinante e reduzir a discussão à pregação de que é necessário “tratar como iguais os desiguais”, Apolinário e seus seguidores apenas escancaram a porta de entrada para a legitimação de um verdadeiro massacre que tantas vezes extrapolam as piadas em mesas de bar e se incorporam em perseguição, patrulhamento e agressão.